quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A lenda do amor


Era uma vez o amor...
O amor morava numa casa assoalhada 
de estrelas e toda enfeitada de sóis.
Mas não havia luz na casa do amor, 
porque a luz era o próprio amor. 

E então o amor queria uma casa 
mais linda para si. 
- Que estranha mania essa do amor!
E fez a terra, e na terra fez a carne,
e na carne soprou a vida, e na vida imprimiu
a imagem da sua semelhança.
E a chamou de ser humano. 

E, dentro do peito do ser humano,
o amor construiu sua casa, pequenina,
mas palpitante, inquieta e insatisfeita
com o próprio amor.

E o amor foi morar no coração do ser humano 
e coube todinho lá dentro, porque o coração
do ser humano foi feito para o infinito.

Uma vez, o ser humano ficou com inveja do amor.
Queria para si a casa do amor, só para si, 
como se o amor pudesse viver só.
E o ser humano sentiu uma fome torturante e comeu!...

O amor foi-se embora do coração do ser humano.
O ser humano começou a encher seu coração:
encheu-o com as riquezas da terra e ainda ficou vazio. E o ser humano, triste,
derramou suor para ganhar a comida. 

Ele sempre tinha fome e continuava com o coração vazio. E, uma vez, resolveu repartir seu coração inútil com as criaturas da terra.
O amor soube... Vestiu-se de carne e veio também
receber o coração do ser humano. 

Mas o ser humano reconheceu o amor e o pregou numa cruz. E continuou a derramar o suor para ganhar a comida. 
O amor então teve uma idéia: vestiu-se de comida, disfarcou-se de pão e ficou quietinho. 

Quando o ser humano faminto ingeriu a comida, 
o amor voltou à sua casa, no coração do ser humano. E o coração do ser humano se encheu de plenitude. 

Cônego Ápio Pais Campos Costa

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